Enquanto pensava em todos os acontecimentos, meus pensamentos bons travavam guerra com a minha podridão particular, todas as ideologias, dores e alegrias. Tudo isso emoldurado por um céu azul brigadeiro, eu conseguia ouvir os bombardeios, os corpos dilacerados. Vontade simples de virar-me do avesso, encontrar a parte (ou melhor aquela coisa, pois parte, para mim, é um osso, uma carne - estas, tenho de sobra), embalada pela música. Soldados de primeira linha não ouvem música, penso, mas enxergam sua casa, sua mulher, seus pais e filhos; a glória do retorno, a medalha de ouro, a homenagem e promoção por serviços prestados,afim de superar seus temores, seus olhos cegos por explosões, seus corações machucados e corpo desesperado (remendado pelas putas e fotos em sépia). Resta, simplesmente, aquilo que vem de dentro, a ilusão, esperanças e o fuzil na mão. Atirando balas, como atirei meus demônios e frustrações pela janela, ricotiaram ao vento, morreram atingidos nos peitos. Mais um tiro, um passo. Uma mina. E a tão sonhada liberdade. Liberdade? Quem não é escravo de si próprio?
Nessas de ser “diferente”, ter ideias fantásticas e fazer todo mundo babar pela minha escrita, acabei me fudendo. Errei todas as colocações, regências, ortografias, nexos e afins. Por eliminação das alternativas acima, restou-me o desastre, algumas reflexões e a vontade de pular da primeira ponte que eu visse, em Viamão.
Estava diante da minha falta de talento, desejei então (com todas as partes –mortas ou vivas- de meu corpo) transformar-me em um poeta ultra-romântico o qual enche a cara de absinto e escreve versos bonitos, com Bethania tocando “Fera Ferida” ao fundo, óbvio.
Após a crise de “piti”, não consegui escrever mais nada. Deixei Sócrates revirando-se no túmulo (em paz).
Por enquanto encho meus copos com água, começo o segundo semestre. Nada de mais, nada de menos. Faltam apenas 4 meses. É tempo de entrincheirar-se nos livros, fazer exercícios medonhos, dormir pouco, porque nada cai do céu, só a precipitação.
14h:40min, estou atrasada e vendo uma pontinha de sol da janela. Tô indo, já fui.
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